
karen Black, actriz principal de Firecracker, subiu ao palco antes da exibição do filme.
A senhora que tem 10 anos em cada ruga disfarçada com botox, fez dezenas de papéis em filmes de série B e ficou conhecida pela participação em Easy Rider e Nashville. Parece que também ganhou dois globos de ouro e foi nomeada para os Óscares.
Foi o grande momento da noite. Comportou-se como uma verdadeira diva decadente, daquelas que tomam dois valiuns com vodka ao pequeno-almoço.
Convidou os fotógrafos a deslocarem-se para o outro lado do palco para lhe apanharem o melhor lado e cantou depois de bater com a cabeça no microfone.
O filme deixa uma forte impressão... negativa. É uma mistura oxidada de Twin Peaks com Freaks com Fargo.
Numa comunidade fortemente religiosa e supersticiosa (sinónimos?) do interior dos estados unidos, dois irmãos procuram a redenção e a libertação da mãe, nos braços de uma cantora de um espectáculo itinerante, aonde habitam as tais figuras do filme de Tod Browning. A mãe e a cantora são interpretadas por Karen Black, numa óbvia alusão ao complexo de Édipo. Acontece um crime. Entra a sheriff da cidade saída do filme dos irmão Cohen (máscula, integra e provavelmente republicana). O realizador alterna entre o preto-e-branco nas cenas de tensão familiar e religiosa, e a cor saturada para as cenas de Freak Show. O truque barato acentua o enjoo.
Mike Patton tem também dois papéis no filme. Não é um grande actor. Devia-se limitar a usar a voz poderosa de crooner em anúncios de lixívia.
Uma palavra para a organização do Fantas: A impressão que fica nos últimos anos é que tem vergonha do festival que faz.
Queria ter um festival com filmes “sérios”, mas como não pode competir com Cannes ou Berlim, nem com o festival independente de Sundance, transformou o Fantas num produto híbrido. Continuam a aparecer os filmes gore, de terror ou de ficção científica que justificaram o festival, mas aparecem também estes filmes medianos (ou mesmo maus) com pretensões arty. Também começou a privilegiar as antestreias, como se trouxesse algum valor acrescentado a um festival como o Fantas exibir um filme duas semanas antes de entrar no circuito comercial.
A palavra final vai para o público do Fantas. É sem dúvida um público em permanente êxtase. Faz lembrar os concertos em que o público está em delírio antes do primeiro acorde da banda. No Fantas o público fica louco por poder bater palmas num cinema, usar uma credencial ao pescoço, e assistir a um filme, mesmo que muito mau, num festival com alguma projecção internacional
2 comments:
O Mike Patton está muito bem ... (esta opinião é totalmente imparcial e nada toldada por anos de fanatismo em relação a este senhor).
A Karen Black (Divinal no House of a Thousand Corpses) também está muito bem.
Ambos em ambos papéis.
A fotografia não é brutal mas vai servindo.
O palhaço é demais... demais!!!!
Estes 4 (6??) pormenores não chegam para salvar um sério candidato ao pior filme de sempre, não me lembro de alguma vez ter estado num cinema só para não ir embora, ou de ter desejado tantas vezes que "aquilo" acabasse.
Bem vindo, Allen Douglas! Esperemos que continues a libertar essa tua imaginação e eloquência neste blog e, quiçá, noutros.
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