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27.6.08

O orfanato



'O orfanato' encaixa-se num género que poderemos chamar 'terror sobrenatural': há uma mãe que tenta trazer o seu filho adoptivo do reino dos mortos, há fantasmas de crianças assassinadas, há uma casa que é um antigo orfanato onde os crimes foram cometidos, etc.

Tirando uma entaladela dum dedo numa porta, penso que não se vê sangue em mais nenhum momento do filme: o medo vem todo da expectativa do espectador, de sons inesperados, de aparições, de fantasmagorias.

Não trazendo nada de novo ao género, 'O orfanato' aplica competentemente as suas regras, resume bem o seu imaginário (veja-se o argumento, todo construído a partir de citações e piscadelas de olho a clássicos, quer do terror, quer das fábulas infantis) e dá-nos alguns momentos de verdadeiro suspense, de que o melhor exemplo será a sequência da medium.

Se o facto de ter a lição bem estudada não deixa de ser um trunfo do realizador Juan Antonio Bayona , a verdade é que tem o seu reverso da medalha: há uma sensação de déjà vu, é algo indistinto. Quem já viu muitos filmes deste género, nomeadamente da legião asiática que costuma passar pelo Fantas (onde até foi premiado), não desgostará a fita, mas também não achará nela nada de particularmente excitante.
El orfanato, Espanha/México, 2007. Realização: Juan Antonio Bayona. Com: Belén Rueda, Fernando Cayo, Roger Príncep, Mabel Rivera, Montserrat Carulla, Geraldine Chaplin.

2 comments:

contra-regra said...

Eu não vi o filme, mas o trailer me intrigou e interessou bastante. É bem a cara do que o Guillermo del Toro gosta de produzir.

Discutir a imprensa? Acesse
http://robertoqueiroz.wordpress.com

Diego Reigoto said...

O que nos faz ter grande fascínio pelos filmes? Para mim, são as emoções que sentimos enquanto estamos envolvidos com aquela obra. Bons filmes de terror são os melhores causadores dessa emoção sem controle. E não estou falando só dos sustos, mas também do arrepio, da sensação de "calma, é só um filme", do coração acelerado.
O Orfanato é um filme que contém todos esses ingredientes indispensáveis a um drama sobrenatural. Soma-se ainda crianças (porque são tão comuns em filme de terror?), amigos imaginários, sussurros e um casarão antigo e escuro, que dá título ao filme.Com ótimas atuações, principalmete de Belén Rueda, como a personagem principal, o filme só erra por trazer um final explicadinho demais. Se terminasse um pouquinho antes, deixaria para o público a interpretação e não subestimaria tanto nossa inteligência. Para quem gostou do ótimo "Os Outros" com Nicole Kidman, vai ver alguns de seus pontos fortes nesse filme, como cenas bem paradas, que aumenta a tensão e o suspense.