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28.11.08

58



Fazendo contas, Henry Chancellor notou que Bond se deitou com 14 mulheres nos livros que Fleming escreveu, contra 58 nos filmes (...)

José António Barreiros in '00Fleming - Ensaio sobre a imortalidade', livro assaz estranho na sua concepção, mas ainda assim bastante interessante, onde o autor tenta provar que há bastante substância nos livros de Fleming, mas que os filmes com 'o seu harém de espampanantes Bondgirls deram causa a um naufrágio literário'.

22.11.08

O Corpo da mentira



‘O corpo da mentira’ é mais um filme que se encaixa na categoria ‘guerra contra o terrorismo’.
Leonardo di Caprio é um agente da CIA no Médio Oriente, movendo-se entre o Iraque, o Dubai, a Jordânia e outros países da zona que albergam radicais islâmicos. Ele é inteligente, eficaz e duro q.b., mas tem um certo espírito de missão, uma certa crença em fazer as coisas da melhor maneira possível (isto é, prejudicando o menor numero de pessoas possível), que o distingue do seu cínico e pragmático chefe que está em Washington (um belo papel de Russell Crowe) ou do seu aliado de circunstância, o frio e elegante chefe dos serviços secretos jordanos.

‘O corpo da mentira’ oscila entre o thriller político e o filme de acção, e dá-nos uma perspectiva menos esquemática do que o habitual dos grupos locais da Al Qaeda, das dificuldades dos agentes da CIA no terreno, meras peças de uma engrenagem tortuosa e esguia, e da capacidade embasbacante da panfernália tecnológica americana – Crowe no seu gabinete, segue num ecrã todos os passos do seu agente nos desertos árabes (mais uma ideia roubada ao filme mais pilhado dos últimos tempos - ‘The Bourne Ultimatum’).

Ridley Scott dirige a fita com mão segura, e quem não pedir mais do que duas horas de entretenimento sólido, não se poderá queixar muito. Já quem esteja farto de ver sempre a mesma coisa e exija dum filme um módico de originalidade e fulgor estético, terá que procurar noutro lado. Que este nem aquece nem arrefece.

Body Of Lies, E.U.A., 2008. Realização: Ridley Scott. Com: Leonardo DiCaprio, Russell Crowe, Mark Strong, Golshifteh Farahani, Oscar Isaac, Ali Suliman.

21.11.08

Notas breves #2



Jogo fraudulento
É um dos primeiros filmes sonoros de Hitchcock e algo atípico no seu universo. Baseado numa peça de John Galsworthy, anda à volta de uma disputa de terras entre uma família aristocrata e um novo-rico, que acaba em tragédia. Era dos filmes de que Hitch menos se orgulhava, mas a verdade é que a mise en scene é primorosa e nos agarra por completo. Nem a mocinha (Phyllis Konstam) a representar como se ainda estivesse no tempo do mudo lhe retira o brilho.
The Skin Game, Alfred Hitchcock, 1931 (8/10)

Undead or Alive
Por incrível que pareça ao comum dos mortais, continua a haver um mercado florescente de filmes de zombies. Embora raramente cheguem às nossas salas, há duas hipóteses de chegar ao seu contacto: em festivais especializados (este ano em Sitges assisti mesmo a uma maratona zombie, que começou à 1 da matina e, entre curtas e longas, acabou depois do nascer dos sol - eu aterrei lá para as 5) ou procurar naqueles caixotes nos hipermercados com dvds ao preço da uva mijona.
Este 'Undead or Alive' é uma auto denominada zombedie (uma comédia zombie) e ainda um western (esse sim, um género moribundo). Ou seja, faz parte dum subgénero muito vulgar que é a comédia mais ou menos idiota feita por tuta e meia. Esta destaca-se apenas por uma originalidade do argumento: os zombies foram criados… pelo chefe Índio Jerónimo! Esta verdadeiramente não lembrava nem a um careca. Só aconselhável aos mais fanáticos de entre os fanáticos do género.
Undead or Alive, Glasgow Phillips, 2007 (4/10)

A irmã da minha noiva
Dois anos antes do sucesso de ‘The Philadelphia Story/Casamento escandaloso’, o mesmo quarteto responsável (realizador Cukor, argumentista Ogden Stewart adaptando Philip Barry, estrelas Grant e Hepburn) experimentou com este ‘Holiday/A irmã da minha noiva’ um grande fiasco, que muito contribuiu para o rótulo de box-office poison se colar a Katherine Hepburn. Mas, uma vez mais, o público é que estava errado. ‘Holiday’ é um filme infinitamente inteligente e divertido, uma obra-prima absoluta da Screwball Comedy, esse género que se encontra – nunca é demais lamentá-lo – mais que morto e enterrado.
Holiday, George Cukor, 1938 (10/10)

Vamo-nos amar
Outro Cukor pouco citado, excepto pelo romance extra-tela que proporcionou entre os seus protagonistas – Marylin Monroe e Yves Montand, nada mais, nada menos. Mas não se deixe o leitor enganar: é um Cukor vintage, e tem a que é por muitos considerada a melhor performance de Marylin no cinema, no seu penúltimo filme, aos trinta e três anos, dois antes da sua morte.
Let’s Make Love, George Cukor, 1960 (10/10)

18.11.08

Ensaio sobre a cegueira



Nunca li ‘Ensaio sobre a cegueira’, mas como qualquer pessoa que já tenha lido algo de Saramago, percebo a dificuldade de adaptar ao cinema um escritor com um estilo tão vincado.

O enredo, sobre uma epidemia que começa a cegar toda a gente, pode ser lido como uma metáfora de uma data de coisas. Mas isso fica mais para o final do filme. Até lá, este tem uma espécie de primeira parte, que ocupa a maior parte da fita, e que se passa num antigo hospício onde os afectados pela cegueira são postos em quarentena pelo governo.

Aqui, o argumento não se distingue muito do de uma data de filmes de suspense/terror/catástrofe, em que um grupo confinado a um espaço limitado, sujeito a uma ameaça, em vez de cooperar para se tentar salvar, rapidamente se desmorona, vindo ao de cima tudo o que de pior há no homem: o egoísmo, a ganância, a inveja, a irracionalidade. O facto de estarem cegos pouco importa neste contexto: a natureza humana é sempre a mesma.

Na minha opinião, o filme aguenta-se bem nesta parte, transmitindo com força este ambiente hostil, degradado, sujo, inumano. Julianne Moore suporta bem a parte de leão que lhe calha e Ruffalo e Bernal não deslustram.

Os problemas chegam quando o grupo sai para a rua. Nesta última meia hora há uma série de opções do realizador que me parecem bastante questionáveis, desde a banda sonora a algumas cenas ‘etéreas’, que transmitem um ambiente assim para o lamechas e pegajoso, que ‘fecha’ mal a metáfora e destrói alguma da tensão que o filme tinha indubitavelmente conseguido criar até aí.

Penso que terão sido estas e outras opções do realizador (como as ‘manchas brancas’, que não me parecem funcionar mal, apesar de não ‘marcarem’) que criaram tantos anticorpos ao filme, mas também me parece que a colecção de bolas pretas que tem coleccionado em muito lado se deve a alguma má vontade generalizada, como a que aconteceu em relação a ‘Babel’, por exemplo. Achei o virtuosismo de Meirelles bem mais irritante em ‘Cidade de Deus’ do que aqui, em que me parece que apesar de tudo se sentiu mais ‘amarrado’ ao texto de Saramago.

Blindness, Canadá/Brasil/Japão, 2008. Realização: Fernando Meirelles. Com: Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice Braga, Yusuke Iseya, Yoshino Kimura, Gael García Bernal, Don McKellar, Maury Chaykin, Mitchell Nye, Danny Glover, Scott Anderson, Sandra Oh.

15.11.08

Busca implacável



Bryan (nunca saberemos o sobrenome de ninguém neste filme) é um ex-agente dos serviços especiais americanos que se preocupa excessivamente com a filha adolescente (que vive com a mãe e o novo e milionário marido desta). Quando ela lhe pede para ir passar umas férias a Paris com uma amiga ele fica relutante, mas acaba por concordar. Mas os seus maus pressentimentos estavam certos, e ela mal chega é raptada. Brian mexe uns cordelinhos, e a partir de algo que ela lhe conseguiu dizer, rapidamente descobre que a rapariga foi levada por uma rede albanesa de tráfico de mulheres. Mete-se então num avião e vai a Paris procurá-la.

Os seus contactos disseram-lhe que tem 96 horas para a encontrar antes que o seu rasto se perca e ele não perde tempo, usando todos - mas mesmo todos - os meios para o conseguir.

À semelhança da sua principal personagem (o excelente Liam Neeson num papel a la Eastwood), ‘Busca implacável’ é um thriller sóbrio, negro e eficaz. Não obstante a brutalidade dos meios empregues e a verdadeira carnificina que é perpetrada, tudo é mais entrevisto do que exposto, não havendo qualquer plano gratuito ou supérfluo. Tudo aqui é conciso, despachado e profissional.

Mesmo tendo alguns buracos no argumento (toda a gente fala inglês em Paris...) e diversos momentos bastante inverosímeis, ‘Busca implacável’ é um excelente thriller muito, mas mesmo muito, acima do que para aí anda.

Taken, França, 2008. Realização: Pierre Morel. Com: Liam Neeson, Maggie Grace, Famke Janssen, Xander Berkeley, Holly Valance, Katie Cassidy, Olivier Rabourdin.

14.11.08

Notas breves #1



Ascenseur pour l'échafaud
Louis Malle tinha apenas 25 anos (e somente a co-direcção com Jacques-Yves Cousteau dum documentário deste no curriculum), quando realizou esta estilizada versão dos noir americanos. Costumam ser elencadas as suas seguintes várias virtudes, com que eu concordo em absoluto: uma bela Jeanne Moreau no papel de uma - apesar de tudo - simpática femme fatale, um dominar impecável das regras do género, uma espantosa fotografia de Henri Decae e uma soberba banda sonora de Miles Davis (na primeira e das raras vezes em que compôs para cinema). Acrescente-se um engenhoso argumento (o protagonista passa quase todo o tempo preso num elevador) e temos um muito interessante filme deste contemporâneo - mas não companheiro - da Nouvelle Vague, que hoje em dia porventura só é recordado por um filme: o autobiográfico ‘Au revoir les enfants’.
Ascenseur pour l'échafaud, Louis Malle, 1958 (8/10)

Um lobisomem Americano em Londres
Dois jovens americanos de mochila às costas passeiam-se pela Inglaterra profunda até que vão dar a um bar chamado ‘The Slaughtered Lamb’! Desconfiam um pouco dos seus antipáticos clientes, mas não seguem o seu conselho: não atravessar as charnecas. E aí começam os seus problemas, ao serem atacados por... adivinhem... um lobisomem. Claro que ninguém acredita nisso, mas um dos rapazes, que viu o clássico ‘The Wolf Man’ com Lon Chaney Jr., percebe logo o que lhes aconteceu.
Algum suspense e muito humor, que inclui umas fantásticas cenas passadas com um disparatado filme porno em fundo (chamado ‘See You Next Wednesday’) tornaram – justamente –este filme um fenómeno de culto.
An American Werewolf in London, John Landis, 1981 (8/10)

Caçador branco, coração negro
Um realizador com uma persona bigger than life (personagem baseada em John Huston, interpretada por Eastwood himself), vai para África realizar um filme, mas só está interessado em caçar um elefante.
‘Caçador branco, coração negro’, que começa em tom ligeiro e acaba em tom trágico, é uma subtil meditação sobre Hollywood e mais uma data de coisas. Um belo Eastwood pré-canonização.
White Hunter, Black Heart, Clint Eastwood, 1990 (8/10)

As asas do amor
Uma realização algo convencional, mas que sabe transmitir toda a força do romance de Henry James. E como penso que este não está traduzido em português, esta é uma boa maneira de o conhecer. Além de que dá direito a uma extraordinária interpretação de Helena Bonham Carter.
The Wings of the Dove, Iain Softley, 1997 (7/10)
Para combater uma certa inércia que se tem apoderado deste blogue ultimamente, resolvi dar o necessário passo em frente... A partir de agora, vou escrever qualquer coisa (nem que seja só uma linha), sobre todos os filmes que for vendo. A ver vamos até quando dura esta promessa.

12.11.08

007 — Quantum of Solace



Não há uma única cena de cama neste 007. E Bond não diz uma única vez ‘My name is Bond, James Bond’. E não pede uma única vez um Martini ‘shaked, not stirred’. E se diz alguma piada afiada, eu não me lembro.

É certo que continua a haver uma data de mortandade e umas quantas cenas de acção estilosas. Como as que abrem o filme, que aliás me fizeram lembrar bastante ‘The Bourne Ultimatum’. E há uma belíssima Bond Girl (a russa Olga Kurylenko a fazer de boliviana), mas é uma mera agente secreta e eu tenho saudades das Bond Girls que eram físicas nucleares em short pants. E há um grande actor a fazer de vilão (Mathieu Amalric), que faz parte duma organização que derruba ditadores sul-americanos entre outras malfeitorias, mas eu tenho saudades da Spectre e dos vilões com palas num olho.

O que fica não é suficiente para fazer um bom filme de acção? É, mas o herói chama-se James Bond como se podia chamar Jason Bourne. E como filme de acção 'Quantum of Solace' não é tão bom como o 'Ultimatum'. Será que o velho Bond misógino e sem angústias algum dia vai voltar?

Quantum of Solace, E.U.A./Grã-Bretanha, 2007. Realização: Marc Forster. Com: Daniel Craig, Olga Kurylenko, Mathieu Amalric, Judi Dench, Giancarlo Giannini, Gemma Arterton, Jeffrey Wright.

Café Bagdad



Hoje vai para o ar mais uma emissão do 'Café Bagdad'.

Como sempre, a Marta Catarino, a Patrícia Jerónimo e eu próprio divagamos e o Pedro Peixoto Costa modera.

Em rodagem estarão 'North by Northwest/Intriga Internacional', de Alfred Hitchcock e '007 - Quantum of Solace' de Marc Forster (aliás eu cometo a gaffe de achar que ele já tinha realizado 'Casino Royale', que na realidade foi realizado por Martin Campbell ...).

Na Rádio Clube do Minho (Braga, 92.9), no horário 13h15-13h45, repetindo também às 23h. Supostamente à quinta-feira de duas em duas semanas, mas que se está a tornar um hábito passar às quartas.

9.11.08

Frases (feitas com títulos)

Pegando numa ideia que anda pela net, e que por cá teve vários exemplos aqui, também eu andei a sacar uns livros da estante e a tirar umas fotos para compor umas frases, neste caso com um espírito cinéfilo:



O que Sócrates diria a Woody Allen: trabalhar cansa.




Enquanto elas dormem, na outra margem, entre as árvores, a Dália Negra agarra o dia.




Tertúlia de mentirosos: Luis Bunuel, Howard Hawks, Alfred Hitchcock, Federico Fellini, John Ford, Fritz Lang, Kenji Mizoguchi, Michael Powell, Nicholas Ray, Jean Renoir, Jacques Tourneur, Orson Welles, Billy Wilder.

8.11.08

Comentários do realizador

"Não faço faixas de comentários do realizador nos meus lançamentos em DVD. Sei que as pessoas gostam de extras, mas, agora, com todos os acrescentos, parece que o filme simplesmente se perdeu. Temos de preservar o filme em si. Deveria estar sozinho. Trabalha-se tanto para conseguir um filme de uma certa maneira; não se devia mexer nele. Os comentários do realizador só abrem a porta à mudança da percepção das pessoas ao elemento número um - o filme. Acredito, sim, em contar histórias que girem à volta do filme, mas comentar à medida que se vai rodando é um sacrilégio.
Em vez disso acho que se devia tentar ver o filme todo de uma ponta à outra, e tentar vê-lo num lugar sossegado, num ecrã tão grande quanto se conseguir, com um sistema de som tão bom quanto se conseguir. Então, pode-se entrar nesse mundo e ter essa experiência."

David Lynch, Em Busca do Grande Peixe, Estrela Polar, 2008.

6.11.08

Em Bruges



Imagine-se um filme que à primeira vista se poderia inserir no ‘realismo britânico’, com uma fotografia à realismo britânico, com actores à realismo britânico (Ralph Fiennes só entra lá para o final), mas que se passa na medieval e turística cidade de Bruges (pois claro), entre assassinos profissionais e... é uma comédia. E bastante divertida por sinal, com alguns dos diálogos mais afiados do ano, as piadas mais politicamente incorrectas e um argumento metodicamente inventivo. E que ainda se dá ao luxo de às tantas se transformar numa espécie de filme noir; e que pelo meio até mete uma história de amor.
Está facilmente encontrado o ovni do ano, nesta primeira longa-metragem do dramaturgo inglês Martin McDonagh.

In Bruges, E.U.A./Grã-Bretanha, 2008. Realização: Martin McDonagh. Com: Colin Farrell, Brendan Gleeson, Ralph Fiennes, Clémence Poésy, Jérémie Renier.

3.11.08

Paris



Nunca tinha visto nenhum filme de Cédric Klapisch, tendo passado ao largo dos seus sucessos decorridos em ambiente Erasmus. No entanto, quer o título deste filme, quer os seus actores - desde logo Juliette Binoche e Romain Duris - chamaram-me a atenção.

Duris é um dançarino que descobre sofrer de uma doença de coração, fechando-se em casa, apenas se entretendo imaginando as vidas das pessoas que vê da sua varanda parisiense. Binoche é a sua irmã, que vem tomar conta dele, trazendo dois filhos pequenos - está separada, e algo ressentida com os homens.

Está assim lançado mais um filme-mosaico, em que diversas personagens e vidas se vão entrecruzando. O maior encanto de 'Paris' (que em boa verdade se poderia passar noutra cidade qualquer), é uma espécie de leveza melancólica que emana. Não tem a profundidade psicológica de um 'Magnólia' nem a beleza formal de um 'Corações', mas o seu tom suave, o optimismo moderado que sobressai apesar de tudo, acabam por nos marcar algo mais que superficialmente.

Binoche e Duris são actores magníficos, e todas as cenas em que estão presentes valem a pena. As outras histórias que preenchem o filme não são tão fortes, havendo algumas mal resolvidas, outras que parece ficarem-se pela rama, mas não comprometendo ainda assim o quadro geral, merecendo mesmo saliência o subplot de Fabrice Luchini (actor de vários filmes de Rohmer), um deprimido professor de história de meia-idade que pensa ter descoberto o amor.

No cômputo geral, uma boa surpresa.

Paris, França, 2008. Realização: Cédric Klapisch. Com: Juliette Binoche, Romain Duris, Fabrice Luchini, Albert Dupontel, François Cluzet, Karin Viard, Gilles Lellouche, Mélanie Laurent, Zinedine Soualem.

2.11.08

Filmes de Outubro

Como é habitual, a seguir listo os filmes que vi ou revi no mês que passou. Classificação de 0 a 10.



A grande esperança, John Ford, 1939, (9)
Duelo de ambições, Raoul Walsh, 1955 (9)
D.O.A., Rudolph Mate, 1949 (7)
Deserto vermelho, Michelangelo Antonioni, 1964 (8,5)
A escalada, Clint Eastwood, 1975 (7)
Halloween, John Carpenter, 1976 (8)
Scarface, Brian de Palma, 1983 (10)
O tédio, Cédric Kahn, 1998 (9)
Cigarette Burns (Masters of Horror), John Carpenter, 2005 (7,5)
Leonard Cohen: I'm Your Man, Lian Lunson, 2005 (7)
Yella, Christian Petzold, 2007
Anamorph, Henry Miller, 2007 (4,5)
Do outro lado, Fatih Akin, 2007
Prime Time, Luis Calvo Ramos, 2008 (4,5)
Destruir depois de ler, Joel e Ethan Coen, 2008
Donkey Punch, Oliver Blackburn, 2008 (5,5)
I Sell the Dead, Glenn McQuaid, 2008 (6,5)
Dance of the Dead, Gregg Bishop, 2008 (6)
Long Weekend, Jamie Blanks, 2008 (7)
Ponyo on the Cliff by the Sea, Hayao Miyazaki, 2008 (7)
Olhos de Lince, J.D.Caruso, 2008
W., Oliver Stone, 2008

1.11.08

Diário de Blindness (I)



A sensivelmente duas semanas de estrear por cá 'Blindness', a adaptação para a tela que Fernando Meirelles fez de 'Ensaio sobre a cegueira' de Saramago, saiu oportunamente nas livrarias 'Diário de Blindness' (quasi edições), transcrição do blogue homónimo mantido pelo realizador brasileiro durante a rodagem do filme (embora esta origem não seja referida no livro - talvez o editor tenha tido medo de perder leitores em favor do blogue!).

Seja qual for o meio que o leitor escolha para ler este diário (para mim não há nada como o papel), não dará o seu tempo por mal empregue. Muito pelo contrário. Não sendo Meirelles um dos meus realizadores de eleição (gostei de 'O fiel jardineiro', mas o celebrado 'Cidade de Deus' deixou-me indiferente), a verdade é que este conjunto de notas (16 posts, apenas) são uma excelente abordagem ao oficio de realizador, escritas com humor, talento, humildade - que não exclui uma série de opiniões fortes e - não menos importante - num português (do Brasil, claro) muito agradável e legível.

Meirelles vai reflectindo livremente sobre os problemas que se lhe vão deparando, quer sejam artísticos (como adaptar um livro que ele considera uma obra-prima? Como não desiludir Saramago, 'uma figura um pouco intimidante', mas que lhe deu total confiança?), técnicos (que câmara usar? que cenário?) ou logísticos (em que cidade filmar esta cena?).

E muitos são uma combinação de factores de diversa natureza, claro. Como o facto de uma personagem ganhar mais importância em relação ao livro porque o seu actor assim o 'impôs', ou como ter que suavizar algo que é suportável no papel mas que não funciona em imagens.

Um exemplo: na rodagem de uma cena, Julianne Moore irrompe pelo cenário fora transbordando uma emoção fortíssima, mas apanhando toda a gente desprevenida, principalmente Mark Rufallo com quem contracenava. Donde teve que se repetir a cena. Mas a seguir era um microfone que não funcionava. Com tantas paragens e repetições, Julianne Moore já tinha perdido um pouco a emoção, mas tudo o resto já ia batendo melhor. Qual a 'tomada' a usar na sala de montagem? Meirelles explica: "na sala de montagem com o Daniel, vimos que o ideal seria usar a quarta tomada da Julie, ainda quente, mas menos descontrolada e a oitava do Mark. O Daniel vai ter que dar um truque, montando partes de falas rodadas em momentos diferentes e sem um dos microfones, talvez tenhamos que assumir alguma descontinuidade na figuração, mas isso faz parte". E conclui, com o seu típico sentido de humor: "E quer saber? Se numa cena destas alguém ficar olhando para o fundo da sala para procurar erro de continuidade, merece encontrar. Um baita esforço deste para nêgo vir dizer que não gostou do filme porque o barbudinho atrás da Julianne desapareceu no segundo contraplano? Give me a break!." (cont.)