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28.2.07

Livro negro



Paul Verhoeven, após 20 anos em Hollywood, voltou à Europa para fazer um filme passado na sua Holanda natal durante a ocupação Nazi. Segundo as suas palavras, voltou porque em Hollywood não poderia fazer este filme. Compreendemo-lo: para além da língua holandesa, o filme tem cenas de nudez pouco comuns por aquelas bandas e contornos morais mais cinzentos do que os grandes estúdios gostam. Na resistência não há só heróis, mas também traidores, pessoas que põem os seus interesses pessoais acima de tudo, anti-semitas, inclusive; e do lado dos nazis também há delicados coleccionadores de selos que se preocupam com as baixas do outro lado. Saliente-se que não há aqui qualquer tipo de revisionismo: Verhoeven apenas nos diz, uma vez mais, que as pessoas são o que são. O comportamento da multidão após a capitulação Nazi, procurando, sedenta, vingar-se dos antigos colaboracionistas, mostra o que pensa Verhoeven da natureza humana.
De Hollywood o realizador trouxe o know-how, apresentando uma reconstituição história sólida e credível, sem ter aquele aspecto de telefilme rico tão comum em filmes de época. O resultado é um filme acima da média, com um agradável sabor démodé.
Zwartboek / Black Book, Holanda/Bélgica/Grã-Bretanha/Alemanha, 2006. Realização: Paul Verhoeven. Com: Carice van Houten, Sebastian Koch, Thom Hoffman, Halina Reijn, Waldemar Kobus, Derek de Lint, Christian Berkel, Dolf de Vries.

26.2.07

Half Nelson — Encurralados



Confesso que aos dez minutos de filme estava um bocado desconfiado. A história do professor talentoso e bem-parecido, mas que quer ser escritor, se afunda nas drogas e anda perdido no mundo, soou-me muito a cliché. E o modo de filmar - a fotografia baça, o ritmo lento - também não contribuiu muito para melhorar a minha opinião - estava-me a parecer tudo muito declaradamente indy, com as marcas todas lá. Mas pouco a pouco, esta má impressão foi-se desvanecendo. O realizador Ryan Fleck mantém sempre o ritmo certo, tudo se desenrola num low profile algo hipnotizante e à medida que vamos conhecendo a personagem, o estereotipo vai desaparecendo. Ao contrário do excêntrico-decadente-chique, temos antes um homem que convive mal com as injustiças do mundo, que se aliena para não ter que andar sempre aos murros. Um homem zangado. Mas que apesar de tudo, não desiste completamente. Que se interessa pelos seus alunos, que tenta ensinar. Que se preocupa.
E, claro - não há como fugir a isto - somos absorvidos pela interpretação portentosa de Ryan Gosling. Desde 'Roger Dodger' que não via tanto isto de um filme ser o seu actor. É assombroso.

P.S.: Gosling perdeu o Oscar para o grande Forest Whitaker, mas só o facto de ter sido nomeado por um filme destes, mostra que a Academia não anda tanto a dormir como às vezes parece.
Half Nelson , E.U.A., 2006. Realização: Ryan Fleck. Com: Ryan Gosling, Shareeka Epps, Anthony Mackie, Tina Holmes, Deborah Rush, Jay O. Sanders.

Previsões



As previsões para os Oscares...de 2008! Aqui.

Finalmente

25.2.07

The host



Nem sei por onde começar para falar deste 'The Host', a minha única incursão até agora no Fantasporto deste ano. Talvez o melhor seja tentar resumir o seu argumento: anos após terem sido despejados num rio uma série de produtos químicos de uma base Americana na Coreia, aparece nesse mesmo rio um ser mutante, uma espécie de peixe gigante mas anfíbio, que caça seres humanos e os leva para um esgoto. Os familiares de uma míuda apanhada pelo bicho resolvem tentar resgatá-la, após descobrirem que ela está viva (consegue fazer uma chamada de telemóvel do esgoto).
Diga-se desde já que é uma família sui generis: o pai é meio atrasado, o tio é um 'licenciado desempregado' e a tia é uma atiradora de arco e flecha, que perdeu a medalha de ouro nos jogos olímpicos (ficou-se pela de bronze) porque demorou muito tempo no último lançamento e foi desclassificada (sim, eu sei que parece uma personagem de Wes Anderson); o chefe de família é o avô, que tem uma roulotte que vende lulas (assim uma espécie de equivalente aos nossos cachorros).

Acrescente-se que além de ser um filme fantástico (com excelentes efeitos especiais, diga-se - a criatura é um prodígio de animação), 'The host' é também uma comédia, com cenas entre o idiota-idiota e o idiota com piada. Tem mesmo uma antológica, em que o avô faz uma defesa comovida do filho retardado ('não comeu proteínas suficientes em miúdo'), e diz emocionado que consegue saber os seus estados de espírito através das suas flatulências. Um momento ao nível da célebre história de 'Pulp Fiction', do relógio escondido anos naquele sítio...

Last but not the least, o filme é ainda - ou pretende ser - uma sátira a uma série de coisas, começando na televisão e acabando - adivinhem! - nos Estados Unidos. Foram os Americanos que contaminaram o rio e são eles que estão a tomar conta (mal) dos acontecimentos, acabando por lançar uma arma biológica contra o monstro, numa cena com reminiscências do cogumelo atómico de Hiroshima.
Mas diga-se em abono da verdade, que não obstante estas metáforas algo pesadas, a maior parte do tempo o filme não é mais do que aquilo que parece ser: uma espécie de Godzilla apatetado.

Que esta bizarrice tenha sido um colossal sucesso de bilheteira na Coreia (país onde os filmes nacionais têm grande peso), não me surpreende grandemente. Já que tenha entrado no top ten dos melhores filmes de 2006 dos Cahiers du Cinéma, isso aí já dá bastante que cismar...
Gwoemul /The Host, Coreia do Sul, 2006. Realização: Joon-ho Bong. Com: Kang-ho Song, Hie-bong Byeon, Hae-il Park, Du-na Bae, Ah-sung Ko.

22.2.07



Amanhã à noite, sessão de abertura oficial com a antestreia de 'EL LABERINTO DEL FAUNO', de Guillermo del Toro. A partir de sábado arrancam as sessões competitivas.

Fantasporto 2007

19.2.07

As cartas de Iwo Jima



No início do filme, Saigo, um soldado raso japonês (um padeiro que foi para a guerra relutantemente, deixando para trás a mulher e um filho bebé), diz para um colega que mais valia entregarem a ilha aos americanos e pronto. Eles acabariam por a conquistar de qualquer maneira e assim escusavam de morrer todos. Um capitão ouve este desabafo e castiga-o duramente: estas palavras antipatrióticas são para ele inqualificáveis. O dever deles é defender aquele pedaço de terra até à morte e qualquer outra atitude é de uma desonra inominável. Quem salva Saigo deste castigo é o General Kuribayashi, que um dia disse galantemente a uma dama americana que as suas convicções e as da sua pátria são as mesmas. Mas não é por acaso que as suas simpatias tendem para o ex-padeiro, e não para o recto e fanático oficial que o castiga. Apesar de nunca deixar de lutar pelas convicções da sua pátria, sentimos que estas já não coincidem inteiramente com as suas. Nostálgico dos tempos que passou na América, ao contrário de muitos dos seus compatriotas ele não menospreza nem subestima o adversário. Talvez duma forma mais racional, chegue à mesma conclusão instintiva do padeiro Saigo: da inutilidade de tudo aquilo.

Neste sentido, 'As cartas de Iwo Jima' é uma poderosa meditação anti-guerra. Eastwood diz-nos que a guerra destruiu a vida de uma série de 'Saigos' e das suas famílias, conduzindo na mesma o Japão a uma derrota. Da mesma maneira que nos dizia em 'As bandeiras dos nossos pais', que a guerra destruiu uma série de 'Ira Hayes' , apesar de estarem do lado dos vencedores e serem mesmo proclamados heróis. Eastwood não acha que valha sempre a pena perder vidas (literal ou metaforicamente) pelas convicções de um país.

'As cartas de Iwo Jima' é um filme muito mais poderoso do que 'As bandeiras dos nossos pais', talvez por ter personagens mais fortes, talvez por dar mais a ver do que demonstrar, talvez pela sua própria estrutura narrativa. Não tendo a complexidade formal do filme anterior, este filme não é, ainda assim, tão simples como parece. As cenas de batalha preenchem quase totalmente as duas horas e tal do filme, mas nem são um fim em si (não são especialmente espectaculares nem inovadoras), nem obedecem a maior parte das vezes a qualquer imperativo narrativo: poderia Eastwood ter tirado meia hora ao filme na montagem e este não sofreria nem um beliscão em consistência. Embora por vezes não se perceba muito bem para onde o filme vai, talvez estas cenas lá estejam porque têm que estar, porque numa guerra não é possível fugir às coisas, como o soldado Saigo descobre. Sabemos que os actos narrados, a batalha de Iwo Jima, durou uns 40 dias, mas dificilmente um espectador conseguirá dizer qual o tempo da 'coisa contada': uma semana, um mês? Por vezes parece mesmo que estamos a assistir a uma narrativa em tempo real, e esta ausência de referências temporais provoca alguma estranheza no espectador. Neste aspecto, não me parece que o filme tenha uma estrutura tão 'clássica' como tem sido dito. Mas só vendo-o outra vez, para perceber melhor esta estrutura.

Quem hoje em dia, além de Eastwood, faria um filme de guerra, ainda por cima visto do 'outro lado', que fosse uma meditação sobre a própria guerra, sem simplismos, sem ideologias de pacotilha, sem medo de pensar por si? Não o pondo ao nível das (várias) obras-primas de Eastwood, 'As cartas de Iwo Jima' é sem dúvida mais um sólido argumento para o colocar no panteão dos maiores realizadores Americanos.
Letters from Iwo Jima, E.U.A., 2006. Realização: Clint Eastwood. Com: Ken Watanabe, Kazunari Ninomiya, Shido Nakamura, Tsuyoshi Ihara, Ryo Kase, Yuki Matsuzaki, Hiroshi Watanabe.

17.2.07

a propósito do Rocky Balboa...

O único filme decente que alguma vez vi com Stallone chama-se 'Cop Land'. Foi realizado há dez anos por James Mangold, o mesmo que o ano passado nos deu o menosprezado mas muito bom 'Walk the line'. Mangold também realizou o dispensável 'Identidade desconhecida' e três filmes que não vi: 'Heavy', 'Kate & Leopold e 'Girl, Interrupted' (este último conhecido por ter dado um Oscar a Angelina Jolie). Talvez valha a pena dar-lhes uma espreitadela.

15.2.07



E o filme do ano na votação do Alfred 2006 é... perdão!, são... O Novo Mundo e Brokeback Mountain.
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Era improvável, com 64 pessoas a votar, mas aconteceu mesmo um empate: 14 votos para cada um deles. A seguir, com 12 votos, ficaram 'Caché' e 'Entre inimigos' (que teve o meu voto). Os 'Amantes regulares' fechou a lista com 11 votos.
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Curiosamente Scorsese ganhou destacado o prémio de melhor realizador, com 22 votos.
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Uma votação cerrada para o melhor filme, com apenas 3 votos de diferença entre o mais votado e o menos. 'Brokeback Mountain' não foi, nem de longe, dos filmes que eu mais gostei. Em compensação gostei bastante de 'O novo Mundo'. Mas tenho pena que não tenha ganho 'Entre inimigos'. Até no Alfred o Scorsese permanece injustiçado!
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Foram 6 as categorias em que o vencedor teve o meu voto. As outras duas em que tive mais pena de não ter ganho o 'meu' candidato foram: filme de estreia (mas reconheço que o filme de Miranda July não é para todos o gostos e ganhou um bom filme) e actor (votei em David Strathairn).
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Todos os resultados aqui.

14.2.07

Rocky Balboa



Quase 20 anos depois, Rocky Balboa não resiste a voltar para um último (?) combate. Ou, por outras palavras, Stallone, 17 anos depois de um filme com alguma visibilidade (Rocky V, 1990), não resistiu a um regresso às luzes dos holofotes. Claro que não pode deixar de ser um regresso nostálgico, reflexivo, que Stallone já vai nos 60 anos.
A crítica, como é sabido, péla-se por estes filmes em que os heróis se reinventam, quer seja parodicamente (houve uma altura em que qualquer filme em que Schwarzenegger gozasse com a sua imagem era recebido como uma obra-prima), quer seja dramaticamente (como neste caso). Não é assim surpresa que este filme esteja a ser um sucesso de estima, estima essa que infelizmente não posso compartilhar.
Stallone nunca primou pela subtileza a representar, e o mínimo que se pode dizer é que não melhorou com o passar dos anos. Subtileza é também o que falta à sua realização, desde a péssima banda sonora que oscila entre o lamechas e o triunfal, até a algumas opções formais mais que duvidosas, de que bom exemplo são algumas sequências em câmara lenta e até um momento em que tudo pára para a fotografia, com o herói de punho no ar: mau gosto, no mínimo. O argumento também não ajuda, sucedendo-se os lugares comuns: o falso bronco com bom coração; o filho perturbado com a sombra do pai (mas que se transforma num instante após um raspanete de 30 segundos); a memória da mulher (uma Santa!), que lhe dá força nas adversidades; os amigos que estão lá para representar um qualquer estereotipo; o adversário arrogante e que o olha de alto mas que vai acabar por o respeitar (o respeito é sempre a palavra chave em filmes de broncos). Só mais um exemplo: a forma como se carrega até ao limite nos comentários depreciativos dos homens da TV nos instantes pré-combate, para por contraste sublinhar o feito de Rocky. De facto, a subtileza não é o forte de Stallone.
Não vou ser mauzinho e falar aqui de Eastwood, pois a comparação seria obscena. Comparemos antes Stallone com Rocky: a criatura tem sem duvida mais talento com as luvas de boxe que o seu criador com a câmara de filmar. Assim, enquanto o come back de Rocky ao ring se traduz num combate memorável, o regresso de Stallone aos estúdios traduz-se apenas num filmezito esquecível.
Rocky Balboa, E.U.A., 2006. Realização: Sylvester Stallone. Com: Sylvester Stallone, Burt Young, Antonio Tarver, Geraldine Hughes, Milo Ventimiglia, James Francis Kelly III.

12.2.07

As vidas dos outros



Este é um filme sobre um dissidente silencioso: um capitão da Stasi (a policia secreta da antiga RDA) que após décadas de 'bons' serviços prestados ao Estado, resolve proteger um dramaturgo do regime que se está a passar para o 'lado errado'. Um dos aspectos mais interessantes de 'As vidas dos outros' é nunca nos dar uma explicação objectiva sobre os motivos que levam o capitão Gerd Wiesler a pôr em perigo a sua carreira e até a sua vida para defender uma pessoa que não conhece. Talvez se tenha finalmente desiludido com o regime. Só se pode desiludir quem tenha tido ilusões, e sentimos que ele as teve, ao contrário do seu amigo e superior que manda investigar o escritor George Dreyman na esperança de descobrir qualquer desvio ideológico deste e, com essa denúncia, dar mais um passo em frente na carreira; ou do ministro da cultura que tem um motivo ainda mais prosaico para destruir Dreymen: cobiça-lhe a namorada, a actriz Christa-Maria Sieland.
O realizador Florian Henckel von Donnersmarck consegue-nos dar um retrato interessante do sinistro estado policial que era a RDA (a Stasi tinha 100.000 funcionários e 200.000 informadores), bem como do anónimo funcionário que consegue enganar este sistema orwelliano de vigilância e perseguição dos cidadãos (aqui especificamente dos intelectuais, sempre debaixo de olho neste tipo de regimes). Consegue também escapar quer ao visual telefilme, quer ao europudim, usando um estilo seco e asséptico, com uma fotografia áspera que combina bem com a desoladora paisagem de edifícios desumanizados da ex-RDA. Onde falha, na minha opinião, é na profundidade dos retratos das restantes personagens, que não conseguem escapar totalmente aos aquétipos e ganhar vida própria, não se conseguindo libertar o filme de uma certa ligeireza, de uma certa superficialidade, que contrasta com o tema que trata. Não podemos deixar de pensar que era possível, com esta matéria-prima, ir muito mais longe na exploração do lado obscuro dos seres humanos, daquilo que torna possível a perpetuação dos regimes baseados no medo, na eterna desconfiança de todos sobre todos.
Assim, fica apenas um filme simpático mas menor.
Das Leben der Anderen, Alemanha, 2006. Realização: Florian Henckel von Donnersmarck. Com: Ulrich Mühe, Sebastian Koch, Martina Gedeck, Ulrich Tukur, Thomas Thieme.

11.2.07



A azul, os meus votos para o Alfred. Os titulos são os brasileiros, mas penso que toda a gente percebe. Dia 15 saem os resultados finais.

filme do ano

1 Amantes Constantes, de Philippe Garrel
2 Caché, de Michael Haneke
3 Os Infiltrados, de Martin Scorsese
4 O Novo Mundo, de Terrence Malick
5 O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee

direção

1 Ang Lee, por O Segredo de Brokeback Mountain
2 Martin Scorsese, por Os Infiltrados
3 Michael Haneke, por Caché
4 Philippe Garrel, por Amantes Constantes
5 Terrence Malick, por O Novo Mundo

ator

1 Daniel Auteil, por Caché
2 Leonardo Di Caprio, por Os Infiltrados
3 Heath Ledger, por O Segredo de Brokeback Mountain
4 Philip Seymour Hoffman, por Capote
5 David Strathairn, por Boa Noite, e Boa Sorte.

atriz

1 Hermila Guedes, por O Céu de Suely
2 Valeria Bruni-Tedeschi, por Amor em 5 Tempos
3 Q’Orianka Kilcher, por O Novo Mundo
4 Penelope Cruz, por Volver
5 Meryl Streep, por O Diabo Veste Prada

ator coadjuvante (***)

1 Jack Nicholson, por Os Infiltrados
2 Mark Wahlberg, por Os Infiltrados
3 João Miguel, por O Céu de Suely
4 Selton Mello, por Árido Movie
5 Sergi Lopez, por O Labirinto do Fauno

atriz coadjuvante

1 Juliette Binoche, por Caché
2 Carmen Maura, por Volver
3 Gong Li, por Miami Vice
4 Scarlett Johansson, por Ponto Final
5 Abigail Breslin, por Pequena Miss Sunshine

elenco

1 A Última Noite
2 Os Infiltrados
3 A Lula e a Baleia
4 Pequena Miss Sunshine
5 Volver

roteiro original

1 Amantes Constantes
2 Caché
3 O Novo Mundo
4 O Labirinto do Fauno
5 Ponto Final

roteiro adaptado

1 Os Infiltrados
2 O Segredo de Brokeback Mountain
3 O Céu de Suely
4 Crime Delicado
5 Munique

cena do ano

1 Amantes Constantes
2 Caché
3 O Céu de Suely
4 Dália Negra
5 O Sabor da Melancia

filme de estréia

1 Eu, Você e Todos Nós
2 V de Vingança
3 Orgulho & Preconceito
4 Pequena Miss Sunshine
5 Três Enterros

filme brasileiro (*)

1 O Céu de Suely
2 Árido Movie
3 Crime Delicado
4 O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias
5 Estamira

fotografia

1 Amantes Constantes
2 Miami Vice
3 O Novo Mundo
4 Dália Negra
5 2046

montagem

1 Caché
2 Os Infiltrados
3 O Novo Mundo
4 Miami Vice
5 Munique

direção de arte

1 O Labirinto do Fauno
2 Dália Negra
3 O Novo Mundo
4 Orgulho & Preconceito
5 2046

trilha sonora

1 Dália Negra
2 Os Infiltrados
3 O Novo Mundo
4 O Labirinto do Fauno
5 O Segredo de Brokeback Mountain

canção (**)

1 Move Away and Shine, de Impulsividade
2 Til the The End of Time, de Pequena Miss Sunshine
3 A Love that Will Never Grow Old, de O Segredo de Brokeback Mountain
4 The Maker Makes, de O Segredo de Brokeback Mountain
5 Don’t Come Knocking, de Estrela Solitária

(as canções podem ser ouvidas aqui)

som

1 Superman, o Retorno
2 Miami Vice
3 O Novo Mundo
4 Munique
5 O Labirinto do Fauno

efeitos visuais (*)

1 O Labirinto do Fauno
2 X-Men: o Confronto Final
3 Piratas do Caribe: o Baú da Morte
4 Filhos da Esperança
5 Superman, o Retorno

pior filme

1 O Código Da Vinci
2 Fonte da Vida
3 Irma Vap – O Retorno
4 Menina Má.com
5 Separados pelo Casamento

(*) Não votei nestas categorias por não ter visto nenhum dos filmes nomeados.
(**) Não votei nesta categoria por não gostar especialmente de nenhuma das canções nomeadas.
(***) À última hora optei por não votar nesta categoria, pois não vi 3 dos filmes em causa.

6.2.07

François Truffaut



06/02/1932 - 21/10/1984

5.2.07

Pecados íntimos



E mais uma vez o milagre repete-se: um realizador da área dos 'independentes' pega em meia dúzia de habitantes dum daqueles subúrbios com casas e jardins imaculados da classe média americana, e dá-nos um filme magnifico, alicerçado apenas num excelente argumento e num conjunto excepcional de actores.
Todd Field ao segundo filme como realizador já tem um domínio excepcional das regras dramáticas e cinematográficas, e partindo do dia a dia das suas personagens, das suas rotinas, do seu quotidiano, fala-nos daquilo de que estes filmes nos falam sempre: daquilo que está por trás da cobertura de chantili, daquilo que é mais profundo. Mostra-nos uma vez mais como as pessoas acabam por ser muitas vezes aquilo que não queriam ser, como a sociedade vai condicionando e orientando as nossas vidas mais do que aquilo que normalmente gostamos de admitir. Que a vida é toda feita de pequenas cedências, como nos diz uma personagem.
'Pecados íntimos' é um filme ora terno ora incómodo, ora sensual ora cómico, ora dramático ora sardónico; e deprimente, melancólico, inteligente; e sempre com uma atenção minuciosa às suas personagens, criando uma proximidade rara entre elas e nós, o público. É candidato a 3 Oscares - melhor argumento adaptado, melhor actor secundário (Jackie Earle Haley) e melhor actriz (Kate Winslet) - todos merecídissimos, mas provavelmente não vai ganhar nenhum. O mundo é injusto.
Little Children, E.U.A., 2006. Realização: Todd Field. Com: Kate Winslet, Patrick Wilson, Jennifer Connelly, Gregg Edelman, Jackie Earle Haley, Noah Emmerich, Phyllis Somerville.

1.2.07

Diamantes de sangue



'Diamantes de sangue' é, antes de mais, um retrato devastador da barbárie que tem atingido quase todo o continente africano nas últimas décadas. Trata-se aqui da guerra civil que assolou a Serra Leoa no início dos anos 90, mas podia ser noutra altura qualquer noutro país qualquer - todos os dias ouvimos vagamente nas noticias algo no género. Milícias rebeldes constituídas principalmente por crianças (orfãs, raptadas ou simplesmente deixadas para trás) doutrinadas à pressão, atacam aldeias e disparam em tudo o que mexa, exibindo uma especial ferocidade perante populações indefesas. Embora já tenhamos visto inúmeras imagens destas crueldades, inclusivamente na televisão (quem não se lembra da imagem do soldado americano a ser arrastado morto na Somália?), não deixamos de ficar impressionados pela forma tensa, seca, com um ritmo implacável, com que Edward Zwick filma estas orgias de violência (sendo que a fotografia acre de Eduardo Serra muito contribui para respirarmos este ambiente africano).
O pretexto para o realizador nos dar este retrato, é uma caça ao diamante por parte de um ex-mercenário e actual traficante sul-africano (DiCaprio, que aprendeu mesmo a representar com Scorcese), que se cruza com um pescador local vitima da guerra (Djimon Hounsou) e com uma jornalista 'de causas' americana (Jennifer Connelly). Também esta parte 'Indiana Jones' se revela surpreendentemente eficaz e bem feita, sempre no limite da inverosimilhança aceitável, como mandam as regras.
A terceira boa noticia é que o lado ideológico também é aqui bem tratado. Nada é a preto e branco, como por exemplo em 'Babel'. Não deixando de sugerir fortemente que a guerra interessa e é até fomentada pelo grande capital ocidental (os vendedores de diamantes), o realizador balança bem os diversos olhares, entre o cínico traficante, a aguerrida jornalista e os desiludidos habitantes locais ('se descobrem aqui petróleo então é que estamos perdidos', desabafa um deles). E uma frase de DiCaprio, dá o mote do filme: 'As pessoas não são boas nem más, são apenas pessoas'.
Para o fim o realizador vacila um pouco, não resistindo totalmente à tentação das boas intenções, mas nada que impeça 'Diamantes de sangue' de ser uma muito boa surpresa.
Blood Diamond, E.U.A., 2006. Realização: Edward Zwick. Com: Leonardo DiCaprio, Djimon Hounsou, Jennifer Connelly, Arnold Vosloo, David Harewood.