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28.12.05

Separados à nascença



Barkis Bittern / Horta e Costa



Maudeline Everglot /Cavaco Silva

26.12.05

A noiva cadáver



Em 'The nightmare before Christmas' (a primeira longa metragem de animação stop-motion de Tim Burton, embora este não assine a realização) Jack resolve trazer o Pai Natal para o mundo de Halloween! O resultado é, claro, uma enorme confusão com tudo a dar para o torto. Nesta nova animação (Burton assina a realização conjuntamente com Mike Johnson, animador de 'The nightmare...') é a noiva cadáver quem traz Victor Van Dort para o mundo dos mortos, sendo que ele depois a leva para o mundo dos vivos...novamente confusão garantida, pois claro! Contando novamente com a colaboração musical de Danny Elfman, e com o seu gang habitual nas vozes (Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Christopher Lee), 'A noiva cadáver' tem todos os elementos do universo Burtoniano, mas sofre inevitavelmente o confronto com o filme anterior com o qual tem muitas parecenças. Sendo ainda um muito bom filme, penso que o ritmo não é tão vivo e é menos exuberante musicalmente que o seu antecessor. Seja como for, Burton é o único realizador que se move com igual à vontade no mundo da animação e da ficção de carne e osso (sem fugir um milimetro do seu mundo bizarro), como o prova o facto de ter estreado este ano um filme de cada género, ambos muito acima da média do que por aí anda.
Corpse Bride, Grã-Bretanha/EUA, 2005. Realização: Tim Burton e Mike Johnson. Longa-metragem de animação. Vozes: Johnny Depp, Helena Bonham-Carter, Emily Watson, Tracey Ullman, Paul Whitehouse, Joanna Lumley, Albert Finney, Christopher Lee

24.12.05

DVD - TOP 5



1. Pack 6 Filmes de Gangsters Warner Bros. + Pack 12 filmes de François Truffaut

2. Curb your enthusiasm, Larry David

3. Metropolis, Fritz Lang + Johnny Guitar, Nicholas Ray

4.Colecção Clássicos America Deluxe - Público

5. Colecção Stanley Kubrick - Sábado


Obviamente este não é um TOP dos melhores dvd's saídos em 2005, pois ser-me-ia impossível fazer algo desse género - é apenas um TOP dos dvd's (lançados em 2005) que enriqueceram a minha dvdteca este ano (e foram bastantes!). Parte deles foram comprados via internet, ou porque não há edições portuguesas, ou porque lá fora são muito mais baratos. Basta comparar o preço do pack Truffaut em Espanha (12 filmes) e o preço em Portugal (e são apenas 5 filmes, salvo erro). Mas isso é outra conversa, que daria pano para mangas... Bom Natal a todos!

21.12.05

TOP 10

As escolhas d'O Puto:




Oldboy - Chan-wook Park
Saraband - Ingmar Bergman
Mar Adentro - Alejandro Amenábar
Closer - Mike Nichols
Life Aquatic With Steve Zissou - Wes Anderson
Sideways - Alexander Payne
Sin City - Roberto Rodriguez e Frank Miller
O Fiel Jardineiro - Fernando Meirelles
Million Dollar Baby - Clint Eastwood
10º Cruel - Mikael Håfström

20.12.05

TOP 10

As escolhas de Allen Douglas :



Oldboy - Chan-wook Park
Head On/A Esposa turca - Fatih Akin
Sinais vermelhos - Cédric Kahn
As bonecas russas - Cédric Klapish
Ferro 3 - Kim Ki-duk
Clean - Olivier Assayas
Aaltra - Benoît Delépine
De tanto bater o meu coração parou - Jacques Audiard
Querida família - Dominic Harari e Teresa Pelegri
10º Temporada de patos - Fernando Eimbcke

19.12.05

TOP 10

As escolhas de Harry Madox:



Saraband- Ingmar Bergman
Million Dollar Baby- Clint Eastwood
Sideways - Alexander Payne
Melinda e Melinda- Woody Allen
Broken Flowers- Jim Jarmush
Sin City- Roberto Rodriguez + Frank Miller
Sinais vermelhos- Cédric Kahn
The life aquatic with Steve Zissou- Wes Anderson
Grizzly Man- Werner Herzog
10º 5x2- François Ozon

18.12.05

2005


Este blog foi criado em Agosto de 2004, o que quer dizer que 2005 foi o primeiro ano em que foi coberta toda a temporada cinematográfica. Graças à colaboração de Allan Douglas e, mais esporadicamente, do Puto, foi possível criticar aqui quase 90 filmes estreados este ano nas nossas salas de cinema (confirmar na barra lateral!). Sendo o principal objectivo deste blog ir cobrindo o que vai estreando por cá, penso que é um número mais que razoável, penso mesmo que terá sido um dos blogs que mais filmes recentes criticou! Foi ainda dado um cheirinho de alguns festivais de cinema, como o Fantasporto, o Indie Lisboa (extensão de Aveiro) e o Festival de Curtas Metragens de Vila do Conde. Deliberadamente, foram colocados poucos posts sobre filmes mais antigos (o nosso arquivo de 'clássicos' é ridiculamente pequeno), pois penso que distorceria um pouco o espírito do blog sobrecarrega-lo com recensões de filmes que a maior parte dos leitores não iria ver. Pelo menos este ano foi assim, no futuro logo se verá.
Brevemente serão aqui postados os TOP 10 dos filmes estreados este ano nas salas portuguesas, o do Allan Douglas e o meu próprio. Até já.
Adenda: E o TOP do Puto também já aí está!

14.12.05

Broken Flowers — Flores Partidas



Depois de Wes Anderson e Sofia Coppola, chegou a vez de Jim Jarmusch convocar o minimalismo de Bill Murray para o seu universo peculiar. 'Murray faz-me lembrar Buster Keaton', sintetizou Jarmusch.
Don Johnston (fabuloso nome) é um playboy de meia-idade que fez fortuna com computadores. A sua enésima namorada (Julie Delpy, num papel de 30 segundos) deixou-o e ele passa os dias deitado no sofá, sempre na penumbra, a ver televisão ou a ouvir musica. Até que recebe uma carta anónima, em que uma ex-namorada lhe revela que têm um filho de 19 anos. Um vizinho armado em detective prepara-lhe então um plano: embarcar numa viagem ao passado, ou seja, visitar as namoradas de há vinte anos para tentar descobrir qual lhe enviou a carta. Embora hesite, a energia do amigo e a curiosidade sobre o hipotético filho, levam a que Johnston com o laconismo e ar de frete habituais lá se resolva a empreender a viagem.
A partir daqui temos como que quatro sketchs, género frequente em Jarmusch, correspondendo cada um a uma ex-namorada. A primeira a ser visitada é Sharon Stone, agora viúva de um corredor de automóveis, que mora nuns subúrbios classe média. Jonhston é recebido de braços abertos, não só por ela como também pela sua perversa filha adolescente chamada...Lolita! O tom aqui é de comédia delirante, género não estranho a Jarmusch que já tinha apresentado o italiano Begnini ao resto do mundo (em 'Down by Law'). A segunda visitada é Frances Conroy (a mãe da familia Fisher em 'Sete palmos de terra'). A recepção é simpaticamente distante, e o tom de ironia sardónica. Ela e o marido são agentes imobiliários que vendem (e moram em) umas casas pré-fabricadas horrorosas e tudo neles é ridículo e asséptico. A terceira da lista é Jessica Lange (por Julie Delpy já tínhamos percebido que Murray sabia escolher as namoradas). Aqui a recepção é fria e o tom de comédia cínica: Lange é uma 'comunicadora animal', quer dizer, é alguém que fala com os bicharocos! Depois da Lolita do primeiro sketch, surge mais uma secundária genial: Cloe Sevigny, a sua secretária, de quem haveria muito a dizer... Para terminar, temos um recepção francamente hostil - de Tilda Swinton, sintomaticamente a única que o havia deixado e a mais feia. Mora nas traseiras de uma garagem de Harleys, num cenário decadente tipicamente americano, e o tom de comédia esvaiu-se de vez.
Cada um destes sketchs teria dado uma excelente curta-metragem, mas o espectador faz naturalmente uma pergunta: o que os une? É que o final do filme pode ser algo desconcertante. Ao contrário do que costuma suceder em obras de ficção deste género, no final da sua 'viagem sentimental' Murray está na mesma. Não sabe nem mais nem menos sobre o suposto filho. Não chegou a conclusão nenhuma sobre o mundo, sobre a sua vida, sobre o futuro. Não houve qualquer ponto de viragem, qualquer revelação, qualquer acontecimento que desse um sentido à sua vida. Está no mesmíssimo ponto em que estava no início. Para Murray (para Jarmusch), a vida não é um filme.
Broken flowers, Estados Unidos/França, 2005. Realização: Jim Jarmusch. Com: Bill Murray, Jessica Lange, Sharon Stone, Tilda Swinton, Julie Delpy, Alexis Dziena, Christopher McDonald, Chloë Sevigny.

9.12.05

O exorcismo de Emily Rose


 Já vi filmes de tribunal que são também westerns, trillers, dramas, films noir (ou vice versa) - a lista é quase infinita, mas filme de tribunal que é também filme de terror, penso que este é o primeiro.
Como filme de tribunal é competente q.b.. Destaca-se a impressiva voz de Campbell `Roger Dodger` Scott e um pormenor interessante: apesar de eu ter passado o filme a pensar que os argumentos expostos em tribunal não eram lá muito convincentes (os da parte que verdadeiramente nos interessa) , o facto é que a decisão do júri vem de encontro ao que eu decidiria naquelas circunstâncias, o que prova que, paradoxalmente, afinal o `court drama` foi convincente.
Quanto ao filme de terror (subgénero fenómenos paranormais), penso que é bastante eficaz. A actriz - a desconhecida Jennifer Carpenter - foi muito bem escolhida e tem uma gama de expressões faciais e corporais verdadeiramente impressionante - impossível, mesmo ao veterano mais empedernido, não dar alguns saltos na cadeira!
Uma boa surpresa.
The Exorcism of Emily Rose, EUA, 2005. Realização: Scott Derrickson. Com: Laura Linney, Tom Wilkinson, Campbell Scott, Jennifer Carpenter, Colm Feore, Mary Beth Hurt, Shohreh Aghdashloo.

2.12.05

Ferro 3



Este é o terceiro filme do coreano Kim Ki-duk que vejo. O primeiro, 'O bordel do lago', mostrava-nos uma bizarra relação sadomasoquista, que envolvia, imagine-se, anzóis; o segundo, 'Primavera, Verão, Outono, Inverno...e Primavera', parecia realizado por outra pessoa - é um filme zen, minimalista, sobre a relação entre um mestre budista e o seu discípulo. Deste 'Ferro 3' pode-se dizer que tem algo da violência do primeiro e algo do espírito zen do segundo. Há, no entanto, uma coisa que os três têm em comum: o silêncio. A personagem principal de 'Bordel do lago' resolveu deixar de falar. Mestre e discípulo de 'Primavera...' trocam ao todo meia dúzia de frases. E o protagonista de 'Ferro 3' não emite um único som durante todo o filme (a protagonista dá um berro no inicio e depois remete-se ao silêncio até ao fim) - Kim Ki-duk poderia ter realizado no tempo do mudo, que os seus filmes não seriam muito diferentes do que são. O tema omnipresente nos seus filmes também é dos mais antigos: a dificuldade de relacionamento entre os seres humanos, a dificuldade de uma pessoa de se inserir na vida normal. De tentar passar ao lado do mundo. Ou refugiando-se numa ilha de um lago, ou escondendo-se num mosteiro budista, ou ocupando casas cujos proprietários se encontram ausentes. E o protagonista deste filme leva este desejo ao extremo. Faz questão de se fotografar em cada casa que ocupa, como que para deixar um rasto, provar que esteve ali, que existe. Mas não há máquina fotográfica que lhe valha: de tanto querer ser invisível, acaba por se transformar num fantasma. E quem não acreditar em fantasmas, que veja o filme e depois fale comigo.
Bin-jip/3-Iron, Coreia do Sul/Japão, 2004. Realização: Kim Ki-duk. Com: Hee, Lee Seung-yeon, Kwon Hyuk-ho, Joo Jin-mo, Choi Jeong.